Segundo o médico Edgar Targino, plantonista do Hospital de Trauma, os jovens são as principais vítimas. Os acidentes de moto sobrecarregam a unidade hospitalar, que deveria atender prioritamente pessoas ferimentos graves. “Mas não é isso que acontece, pois muitos acidentes de moto têm como consequência traumas leves”, explicou. Desde o primeiro dia deste ano até as 8h de ontem foram contabilizados 248 casos.
Ontem na enfermaria masculina do Trauma 90% dos internos eram vítimas de acidentes de moto. Um dos casos foi o do estudante José Ricardo Cavalcanti, de 19 anos. No último domingo, quando voltava com amigos de um passeio em Gramame, ele perdeu o controle e bateu em outra motocicleta. O resultado foi uma fratura exposta na perna direita. “No domingo mesmo passei por cirurgia e estou em observação”, contou. O estudante anda de moto há cinco anos e garante que esse foi seu primeiro acidente. “E será o último porque não quero mais arriscar minha vida. Não quero mais saber de moto”, revelou.
O padeiro Joel Constantino do Rego, 30, também passou por momentos difíceis no final de semana passado. Sem capacete, ele perdeu o controle da moto e bateu de frente em um muro, no bairro dos Funcionários I, em João Pessoa. Foi socorrido às pressas para o Hospital de Trauma, onde recebeu o diagnóstico de uma fratura na coluna e outra no joelho. Há dois dias passou por cirurgia e até ontem estava internado na enfermaria. “ Moto é mesmo muito arriscado, não queria mais andar, porém, é o único meio de transporte que tenho”, declarou.
Na última terça-feira, na avenida principal dos Bancários, o comerciante Onildo Barbosa tentou desviar e acabou sendo atingido por um ônibus da empresa Transnacional. Exemplos de imprudência no trânsito da capital não faltam. Basta passar cinco minutos em pontos mais movimentados como a avenida Epitácio Pessoa, a Ruy Carneiro ou mesmo a Lagoa do Parque Solon de Lucena para flagrar motociclistas desrespeitando as regras de trânsito e desafiando a própria sorte. A falta do capacete deixa o condutor ainda mais vulnerável em casos de acidente.
De acordo com o médico Edgar Targino, a maioria dos pacientes vítimas de acidentes de moto consumiu álcool antes de dirigir, ou seja, a imprudência foi a causa da maioria dos casos. “Se houvesse mais consciência, a situação seria outra. Não é à toa que os traumas são as principais causas de morte entre jovens no país”, explicou. E são pessoas jovens, geralmente do sexo masculino, a maioria dos pacientes.
Por: Valéria Sinésio
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