Inocêncio Nóbrega
Na Idade Antiga (de 4.000 a.C. à queda do Império Romano) os sumérios, na Mesopotâmia e inventores da escrita, por séculos eram senhores absolutos do tempo, enquanto os persas não se constituíam num grande império. Nesse longo período da história, Grécia e Roma edificaram os fundamentos da civilização ocidental. Vieram, a seguir, os hebreus, fenícios, celtas, etruscos e outras. Assírios, espartanos, germânicos, gregos, acomodaram-se, provisoriamente, em territórios que invadiam, alterando, periodicamente, o mapa geopolítico asiático e europeu. Reinos, principados somente tinham suas vontades detidas por guerras entre diferentes povos. Eram soberanos, obcecados pelo expansionismo, engolindo tiranias ou indefesas populações. Embora que em seguida fossem por outros alcançados.
Em plena época contemporânea nações há que pela força das armas querem exercer seu poderio hegemônico sobre outras. Ignoram regras de convivência pacífica internacional, violam, sem cerimônia, searas alheias, somente disseminando ódio e vingança. Tal como seus antecessores, de milênios de anos atrás, não admitem posições contrárias, mesmo que estejam a pregar liberdade e democracia. Subjugam governos de países, dentro e fora de seu continente, através de invasões militares ou simplesmente de golpes, impondo-lhes governos fantoches, enquanto apóiam outros os quais já vinham adotando essa linha.
Tanto no passado como nos últimos séculos houve quem se insurgisse contra esse instinto de belicosidade. Nem sempre bem sucedidos, pagando com a vida pelo crime de defender a humanidade. Sem prêmio Nobel, vejamos os casos mais recentes: Saddam Hussein, Che Guevara e, agora, Bin Laden, que também alcança o pedestal dos mártires. As circunstâncias de sua morte, sob o falso escudo de direitos humanos, lhe deram essa condição, permitindo que seu nome seja sempre lembrado, mesmo no contraponto às alegrias pelo seu desaparecimento, que se transformarão numa permanente reação mundial de repugnância, ao ato contra si cometido. Se as torres gêmeas gemeram e ruíram certamente se deveram em nome às vítimas de Hiroshima e Nagasaki, de milhares patriotas torturados e mortos, por ditaduras nas Américas e ofensas a crenças religiosas do oriente. Por outro lado, no que é legítimo, há organizações que se contrapõem a ataques e matança de civis no Afeganistão, Iraque (outrora Assíria), Líbia e em outras soberanias. Resumindo, estamos de volta à Idade Antiga.