18/05/2011

Com democracia estudantil não se brinca




Faz algum tempo que existe um pensamento sobre a questão do transporte universitário em Soledade no Cariri paraibano. Pensamento de recolher uma contribuição financeira dos alunos pela utilização do mesmo. Em 2011 não tem sido diferente e ainda no primeiro semestre se coloca na câmara municipal uma medida provisória que explica a situação do caixa municipal e da impossibilidade de não haver mais como manter a ida de pouco mais de 180 alunos até a cidade de Campina Grande e Lagoa Seca.
Sempre fui contrário a este ato, pois historicamente minha terra não conhecia um transporte universitário, implantando apenas no inicio dos anos 90. Antes, uma gama de estudantes concluiu seus cursos indo à Rainha da Borborema de carona, em cima de caminhões e enfrentando todo tipo de intempérie. Com certa vez me confidenciou José Bento Leite atual vice-prefeito da cidade: “Um dia pegamos uma carona num caminhão carregado de caulim e quando chegamos em Campina, tivemos que voltar sem assistir aula porque estava todo mundo branco e cheio de cal pelo corpo e pela roupa”.
Porém o que notamos quando o transporte passa a existir, ainda com muitas dificuldades em outras gestões é que se amplia a vontade da juventude estudar e fazer um curso superior. Um detalhe que podemos observar na atual gestão, é a quase nunca os transportes vão vagos, ou costumam quebrar, ou seja, a prefeitura municipal nos últimos oito anos tem feito um verdadeiro esforço no intuito de manter a freqüência dessa grande leva de estudantes às suas respectivas faculdades.
Mas sempre se volta ao ponto de partida, uma cobrança financeira para que os estudantes continuem indo estudar. Porém como em outras reuniões em que estava presente, em outros encontros e debates na Câmara de Vereadores, se viu que a classe em sua maioria não aceita essa condição de arrecadação, a grande maioria não tem emprego fixo e por isso não pode contribuir.

Mas apresentamos outras soluções:
1-                           Em curto prazo: uma priorização do serviço do transporte, já que este assiste não apenas universitários (a grande maioria), mas ainda deficientes físicos (poucos), estudantes de curso técnico (bom número), pré-vestibulares (muitos) e caroneiros (que se aproveitam da viagem para se deslocar até o Planalto da Borborema). Priorizar que digo é fazer com que se estabeleçam os usuários dessa condução.
2-                           A médio prazo: a criação de um curso pré-vestibular municipal que atenda a grande massa juvenil que busca ser aprovado no exame nacional de ensino médio e vestibulares, utilizando os próprios professores da rede de ensino da cidade e mais ainda os universitários que se proponham como voluntários.
3-                           A longo prazo: com os deputados estaduais, federais e senadores que se propuseram em campanhas, a viabilização e construção, de escolas técnicas federais no município, a implantação de campus da UEPB e ou UFPB e ou UFCG junto à zona urbana.
São esses pontos que se fazem urgentes para resolvermos em nossa terra. Acredito que será de grande valia se tivéssemos a coragem de lutar pelos nossos ideias e prioridades. Se a classe estudantil universitária saísse do comodismo e caísse nas ruas para cobrar de seus representantes as melhorias tantas vezes prometidas em microfones de palanques eleitorais. Se os nossos representantes agissem sem a necessidade deste cobrar e se...
A única maneira que se pede para resolver essa tensa situação (que se arrasta há tentos anos e pelo visto não tem data para deixar de agonizar) é uma decisão radical: caso não tenhamos uma decisão agradável para a classe estudantil, esta deve boicotar a eleição para prefeito em 2012, já que nenhum candidato tem uma proposta governamental em vista que viabilize a realização das três urgências acima.
Não tenhamos medo, “é preciso não ter medo, é preciso ter a coragem de dizer” (Carlos Marighela) Se somos cobrados, temos que cobrar, se acreditamos temos que exigir uma resposta e se votamos queremos ser ouvidos.
Fernando Luiz Araújo da Costa
João Pessoa, 18/05/2011.

blog de Fernando Luiz --> http://fl-costa.zip.net/

Um comentário:

  1. Rosa Alexandrina Gouveia19 de maio de 2011 às 22:56

    Concordo contigo Nando, é estabelecendo objetivos, que resolveremos o problema que não é de hoje ,Graças as carona e a Patoense onde os estudantes da epóca foram agraciados pelo dono da empresa com Passe de 50 % e ate 100 que consegui fazer o curso Pedagógico e a Universidade. na minha opinião o máximo que o estudante Universitário pode pagar é contribuir com aulas para os vestibulandos,proporcionando assim uma aprovação maior dos Feras Soledadenses.

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