25/10/2011

Carta Aberta à Sociedade Paraibana


Preocupações Patrimoniais na Paraíba.

Fernando Luiz Araújo da Costa¹

Recebi na tarde de ontem a edição número 65/set-2011 do Boletim Informativo da Sociedade Paraibana de Arqueologia - SPA, como sempre recebo mensalmente. Mas nesta referida me chama atenção mais uma vez a questão da atual conjuntura em que se encontra o patrimônio urbano de Campina Grande, quando os professores Vanderley de Brito e Thomas Bruno, registraram a demolição do Prédio da Fábrica Caranguejo.

Trago a baila a questão, pois como a mesma dedicação e empenho o Departamento de História Prof. Juarez Filgueiras de Góis - DHPJFG da Fundação Cultural Casarão Ibiapinópolis - FCCI, de quem a SPA é parceira, tem em relação à preservação, conservação e educação ao patrimônio arquitetônico de Soledade, que também vem sofrendo a mesma degradação irresponsável, sem que seja analisada por órgãos competentes e cito: Ministério Público - MP e ou Instituto do Patrimônio Histórico da Paraíba – IPHAEP.

Faz-se mister levar em consideração o empenho de instituições como a SPA, IHGCP, FCCI, Universidades e tantas outras que debatem, divulgam e se preocupam com a preservação deste patrimônio, pois, em todas as nossas denúncias, apelos e empenhos, não vacilamos em consultar e visitar estes órgãos competentes acima citados. Já não basta ver ir ao chão: casarões, fábricas, galpões e tantas “relíquias” da arquitetura paraibana em tão pouco tempo?

Unamo-nos Senhores, paraibanos, professores, estudantes, pesquisadores. Unamos nossas instituições: UFPB, UEPB, IPHAEP, IHGC, IHGCP, FCCI, MP, Curadoria do Patrimônio e todas as instituições que velam pela história local e regional de nosso estado. Tentemos criar um fórum que congregue esta luta e questão. Cheguemos a um consenso e resolvamos de vez tal situação. Penso numa frase do Monsenhor Virgínio Stanislau Afonso “...Aqui se compreende, que um povo sem história é um povo anônimo, como o indivíduo que perdeu as mais ricas lembranças da vida” (1968). Entremos na luta de tantos outros que no passado deram início a esta preservação como o escritor jornalista Inocêncio Nóbrega Filho, prof. Balduíno Lelis, prof. Carlos Alberto Azevedo, prof. Josemir Camilo e tantos outros pioneiros e atuais no registro e na preocupação pela micro história da Paraíba.

Peçamos que estes que nos ajudem e que nos escrevam, que nos oriente nessa empreitada quase que sem fim. Não tenhamos medo de trilhar caminhos já trilhados por estes tantos nomes no passado recentíssimo de nossa história e que não sejamos iludidos com a lábia de alguns que tentam justificar mais destruições. Evitemos com isso que outros edifícios que fazem parte da vida histórica do nosso estado venham ao chão.

Será que esta luta pode ser chamada e defendida por idealistas e neo-historiadores? Que não conhecemos nosso passado? Que esta causa é perdida? Os historiadores do futuro dirão se isto está fadado à efemeridade e que por isso se justifique mais demolições.

Publique-se! Faça-se ler! Comente! Opine! Não se cale diante disto!

João Pessoa, 25 de outubro de 2011

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