13/06/2011

Bebendo 51



Uma das piores cachaças do Brasil é a 51. Consegue ser pior do que a Pitu. A bicha é adoçada, travosa, dá uma dor de cabeça da peste no ressacado cachaceiro, tem sido falsificada ao longo dos anos, em toda biboca tem um engarrafamento jogando papuda no bucho dos bebuns, até em Bayeux criaram uma desova da dita cuja, de modo que, para o tomador de cana, beber 51 é enfiar um pé na cova.

Custa barato, menos de 2 reais uma garrafa. Para ficar mais barata ainda, inventaram de engarrafa-la em vasilhames de plástico. Aí a porca torceu o rabo, porque, se forró de plástico já é uma merda, imagine cachaça.

A fábrica é rica, todos sabemos. Tão rica que impôs ao forrozeiro de Campina a obrigação de beber o seu produto. Vá o besta do forrozeiro tentar entrar no Parque do Povo com uma meiota de Triunfo ou um litro de Serra Limpa! Os bombados de Veneziano estão orientados para não permitir nada além de 51. É o conhecido purgante, aquele que nossas mães nos davam quando meninos para expulsar as lombrigas. O de óleo de “rizo” era o mais conhecido e o mais odiado. A gente engolia fazendo careta, morrendo dos bofes, vomitando as tripas. No dia seguinte, lombrigas e mais lombrigas saíam dos buchos sambudos. Elas próprias com nojo daquele óleo rançoso, travoso e asqueroso.

Pois a cachaça 51 é o “óleo de rizo” do forró. O campinense está sendo obrigado a engoli-lo mesmo fazendo careta. Vai engolir a bicha até o final de junho, botando lombrigas pelo fiofó e dançando com as pernas bambas por causa da papuda.

Judas vendeu Jesus por trinta dinheiros. A Prefeitura de Campina vendeu o forró por 500 mil reais. E para honrar o compromisso, está enfiando papuda do bucho do campinense, nas tripas do turista. Será difícil contar o número de cirroses que vão aparecer no final da festa, gente com o bucho crescido, com o fígado derretido, com as tripas dilaceradas. Mas o que é isso perto do custo benefício patrocinado pela 51?

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